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Livro reflete sobre como atravessar as dificuldades no ensino de ciências

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Temas relevantes tanto para pesquisadores quanto para professores de ciências. Esta é a proposta do livro Questões atuais no ensino de ciências, organizado pelo professor Roberto Nardi, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Em sua segunda edição, o volume abrange um conjunto de artigos produzidos a partir de discussões, reflexões conceituais e práticas, além de relatos sobre pesquisas apresentadas em um ciclo de seminários organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Unesp, do qual Nardi é vice-coordenador.

O livro inicia com reflexões sobre educação científica, sua relação com a educação pública popular e a sociedade. Também apresenta diferentes noções de construtivismo e discute suas influências no ensino de ciências, destacando relações entre os processos de produção de conhecimentos na ciência e no indivíduo.
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Além disso, a obra propõe a abordagem de concepções alternativas e de mudança conceitual, considerando as contribuições para a prática pedagógica do professor. Um dos capítulos aborda a construção do saber docente no ensino de ciências nas séries iniciais do ensino fundamental. Isso é feito a partir de resultados de uma pesquisa qualitativa que estabelece características da realidade do ensino de ciências nestas séries e identifica fatores que favorecem ou dificultam a mudança de prática docente.

Muitos docentes, em razão de falhas em sua formação, têm dificuldade em lidar com as concepções prévias dos alunos e também em incorporar atividades experimentais em suas práticas pedagógicas. Não criam situações pedagógicas em que os alunos possam encontrar evidências para que alterem e refinem suas concepções, em vez de simplesmente decorarem e reproduzirem temporariamente informações sem apropriação dos conceitos. Espera-se que a leitura deste livro possa levar a reflexões importantes e provocar o professor a tentar inovar em suas práticas seguindo uma abordagem ação-reflexão-ação.

Outro importante tema abordado é o do uso da história da ciência para melhoria do ensino da ciência como conteúdo em si e também como fonte de inspiração para a definição de outros conteúdos e proposição de estratégias de ensino. A obra apresenta ainda reflexões sobre a função e a importância do experimento.

Os quatro últimos capítulos ajudam a transpor as dificuldades em elaborar e aplicar práticas pedagógicas coerentes com os avanços teóricos, com exemplos de pesquisas-ação-reflexão: em ciências naturais, enfocando a diferenciação entre os conceitos de calor e temperatura; em biologia, explorando as dificuldades das crianças para ampliar sua compreensão de mundo vivo para além dos animais (vertebrados e invertebrados) e dos vegetais, além dos debates ao longo do avanço do conhecimento biológico, da geração espontânea à biogênese;  em educação ambiental, explorando e aplicando conceitos de projeto, interdisciplinaridade e trabalho coletivo, explorando estratégias baseadas em excursões de campo para a reconstrução do conceito de natureza e recuperação de uma visão mais holística.

Diante dessa abrangência, sente-se falta de um capítulo dedicado à pesquisa e à iniciação científica na Educação Básica. Muitos dos conceitos e práticas abordados no livro tomam outras dimensões quando os estudantes são instigados a desenvolver seus próprios projetos, o que os leva a perceber que são capazes, não apenas de compreender a construção do conhecimento e o desenvolvimento tecnológico, mas que também podem ser protagonistas desses processos.

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