Adolescência fora da escola

Cresce o número de jovens que não trabalham, nem estudam

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O Brasil ainda terá de incluir 21,6% de seus jovens na escola para alcançar a Meta 3 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a universalização do atendimento escolar a todos os jovens de 15 a 17 anos até 2016. Tal é a parcela dos jovens dessa faixa etária que, segundo dados de 2013, não estudavam naquele ano. Desses jovens, cerca de 1,3 milhão também não trabalhavam, sendo que somente 25,9% deles tinham concluído  o ensino médio. Os dados mostram crescimento entre o percentual dos jovens que nem estudam, nem trabalham, no comparativo entre 2012 e 2013 (tabela abaixo).

O levantamento realizado pelo Todos Pela Educação, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mostra ainda um viés preocupante: a interrupção dos estudos entre as meninas adolescentes por motivo de gravidez. Das meninas que naquele ano nem estudavam, nem trabalhavam, 31,9% já tinham tido o primeiro filho. Dentre essas jovens mães, apenas uma em cada quatro continua estudando (25,3%) e, ainda, 55,4% abandonaram a escola sem completar o ensino fundamental, ou completaram, mas não entraram no ensino médio (24%).

Apesar de menos da metade (48,6%) da população de 15 a 17 anos no Brasil ser do sexo feminino em 2013, nesse ano as meninas representavam 59,1% do total de jovens dessa faixa etária que não estudavam nem trabalhavam. Dessas, aproximadamente um terço tinha pelo menos um filho e apenas 27,9% concluíram o ensino médio.

As meninas, porém, avançam mais na escolaridade antes de abandonarem a escola do que os meninos. Em comparação à escolaridade dos jovens do sexo masculino que nem trabalham, nem estudam, o número de meninos sem instrução e que não concluíram o ensino fundamental (53,8%) é maior que o das meninas (42,7%), ao passo que o percentual das jovens que têm o ensino fundamental completo e o ensino médio incompleto (29,3%), é maior que o deles (23,3%).

Quando comparado a 2012, o percentual de meninas que não estudam nem trabalham, mas que concluíram o ensino médio aumenta de forma mais acentuada do que entre os meninos – respectivamente 4,9 e 1,9 pontos percentuais (p.p). Entre as jovens que já são mães, entretanto, o percentual das que não estudam nem trabalham, mas concluíram o ensino médio, teve queda de 1,9 p.p entre 2012 para 2013. A distorção idade-série é outro desafio para o cumprimento das metas do PNE, que prevê elevar, até 2024, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%. A taxa atual é de 59,5%.

 

 

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