Acesso ao desenvolvimento

Conhecimento de tecnologias se tornou imprescindível para que as pessoas se tornem produtoras e consumidoras de conteúdos

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Juarez Zortea: Quem não tem educação digital não tem acesso às ferramentas e fica à margem das evoluções

Antes do surgimento do PC e da internet, ainda na década de 1970, três professores – Tichenor, Donohue e Olien – da Universidade de Minnesota formularam a Knowledge Gap Hypothesis (Hipótese da Lacuna de Conhecimento). Segundo os três, a capacidade de uma pessoa receber, compreender e assimilar conhecimento depende basicamente de três fatores: o conhecimento adquirido; redes sociais; e acesso a meios de comunicação diferentes. Por essa hipótese, "pobres de informação" tendem a ser cada vez mais pobres; e "ricos em informação", cada vez mais ricos, gerando uma polarização social crônica.

Cerca de vinte anos depois, em função dos avanços em tecnologia, os países em desenvolvimento passaram a lidar com dificuldades de acesso a computadores e ao conhecimento disponível na internet. Uma nova categoria de indivíduos emergiu, então: os excluídos da era digital e, conseqüentemente, da chamada sociedade da informação. Acadêmicos e especialistas em tecnologia da informação (TI) passaram a debater um tema preocupante: os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, sobretudo os mais pobres, estão ficando para trás, e por razões diversas.

Sem os meios necessários (computadores e laboratórios) e os recursos adequados (telecomunicações, internet rápida etc.), perde-se um amplo leque de opções para melhoria dos indicadores sociais e para o crescimento econômico. A inclusão digital é um modo de democratização da informação, de universalização da tecnologia e de melhoria das condições de vida de uma região ou uma comunidade?

Antes de tudo: o que é inclusão digital? "É a aprendizagem necessária para um indivíduo circular e interagir no mundo das mídias digitais, como produtor e consumidor de conteúdos", define Maria Elizabeth de Almeida, professora da PUC-SP e coordenadora do programa Gestão Escolar e Tecnologia. A inclusão digital implica dois instrumentos técnicos imprescindíveis: computadores em rede e softwares. Mas, segundo especialistas, a inclusão de indivíduos na sociedade do conhecimento depende, necessariamente, de um suporte pedagógico.

Apenas enviar computadores para populações marginalizadas não contribuirá efetivamente para a inclusão de cidadãos no mundo digital, nem para a diminuição dos índices de repetência e evasão, por exemplo. A lógica da inclusão é auxiliar a pessoa a se apropriar do conhecimento disponível na internet e aplicá-lo. Para isso, diz Maria Elizabeth, é necessário um mediador – "alguém que ajude a pessoa a saber separar o joio do trigo".

O mundo não está baseado somente em trocas monetárias. Valores simbólicos como conhecimento e aprendizagem têm importância decisiva. Trinta anos atrás não era assim. "A inclusão digital é uma forma ‘pós-moderna’ de exclusão social. Quem não tem educação digital não tem acesso às ferramentas e fica à margem das evoluções", acredita Juarez Zortea, diretor comercial da HP e responsável pelos programas de responsabilidade corporativa da empresa.

Para muitos, o problema é também político. "A inclusão digital é um modo de interpretação dos conteúdos que serão acessados. Hoje tudo passa pelo computador, instrumento fundamental de consolidação da cidadania", acredita Celso Fernandes, coordenador-geral do Comitê para a Democratização da Informática (CDI), do Rio de Janeiro.

O espanhol Manuel Castells, professor de sociologia e planejamento urbano e regional da Universidade da Califórnia em Berkeley, autor da trilogia A Era da Informação (Ed. Paz & Terra), acredita que a quantidade de pessoas plugadas em busca de informação qualificada é um indicador de desenvolvimento social. "Creio que seja essa a diferença entre desenvolvimento e irrelevância, hoje", escreve Castells.

Segundo Castells, a conexão global por meio de redes de informação condiciona toda a dinâmica de uma sociedade ou de um país. Nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria das pessoas está conectada à internet. No Brasil, os "incluídos" são minoria e estão geograficamente concentrados nas regiões Sul e Sudeste.

O autor pondera que a sociedade está passando por uma "revolução informacional" que pode ser comparada às grandes revoluções da História. "A era do conhecimento trouxe impactos sociais capazes de levar a uma transformação maior ou igual àquela produzida pela máquina a vapor. A existência, hoje, de uma sociedade baseada na informação é um fato histórico de importância comparável à da Revolução Industrial."

As tecnologias da informação tornam-se as ferramentas indispensáveis na geração de riqueza, no exercício do poder e na criação de códigos culturais. "Assim como foi o livro no passado, hoje a tecnologia é ferramenta de conhecimento e trabalho no mundo moderno. Treinar para a tecnologia não é fim, é meio", acredita Zortea.

Ter acesso a computadores é uma prova de inclusão digital? "A oferta de computadores conectados em rede é apenas o primeiro passo. O segundo é auxiliar as pessoas a atribuir significado às informações", diz Maria Elizabeth. Zortea acrescenta: "Qualquer projeto de inclusão precisa estar integrado à comunidade local, que tem de se envolver. Caso contrário, a inclusão não se sustenta".

A tecnologia em si não é nem boa nem ruim. Importante é como a usamos. Um megafone, por exemplo, pode fazer o bom cantor alegrar multidões. O mesmo megafone nas mãos de um desafinado causaria irritação. "Internet é muito mais do que e-mails e sites. Internet é acesso a oportunidades, principalmente de empregos", sublinha Zortea.

Outro ponto discutível é o que fazer com os softwares e que proveito tirar da internet. Sem aplicação no cotidiano, o conhecimento adquirido corre o risco de se perder. "Inclusão digital é ser capaz de aplicar os aprendizados no cotidiano", enfatiza Maria Elizabeth.


Juarez Zortea: Quem não tem educação digital não tem acesso às ferramentas e fica à margem das evoluções

Mark Warschauer, professor de Educação e de Informação & Ciência da Computação na Universidade da Califórnia, diz que em países como o Brasil a inclusão digital precisa ser mais prática e menos teórica. Há anos estudando o impacto social das ações de inclusão digital em países da América Latina, Warschauer esteve várias vezes no Brasil para conhecer projetos de inclusão digital.

Autor do livro Tecnologia e Inclusão Social: Repensando a Divisória Digital (Ed. Senac-SP), Warschauer afirma que a exclusão digital não se dá somente pela falta de acesso a computadores, acessórios e conexão. Segundo ele, é preciso conhecer as reais necessidades dos usuários, seu grau de instrução e sua capacidade de leitura.

Warschauer utiliza o tema alfabetização como exemplo de flexibilidade. Por muito tempo, definiu-se por "alfabetizado" aquele que dominava os códigos formais de leitura. Entretanto, educadores modernos, entre eles o brasileiro Paulo Freire, reorientaram o debate. A alfabetização passou a ser vista de maneira contextualizada e se tornou um exercício de inclusão política, em que o conteúdo aprendido faz sentido na realidade do aluno, que é também sujeito da aprendizagem. O domínio da leitura, desta maneira, deixa de ser simplesmente uma habilidade funcional e torna-se uma ferramenta de intervenção e transformação de destinos.

"A longo prazo, será impossível compreender o mundo sem acessar as informações que circulam na internet. É preciso entender a linguagem digital para viver melhor neste mundo. Por isso, a inclusão digital requer um programa educacional que faça sentido para a pessoa, e que contemple os diferentes entornos e as diferentes necessidades de cada comunidade", analisa Maria Elizabeth.

Inclusão digital também pressupõe ações integradas, diz ela: acesso aos equipamentos e à internet; tipo de conteúdo disponível on-line; melhoria da capacidade de leitura, compreensão e pesquisa; aperfeiçoamento das estruturas sociais, comunitárias e institucionais.

Por isso, os especialistas acham que os computadores são úteis no dia-a-dia e as pessoas devem se beneficiar deles. Entretanto, eles ressaltam que devemos evitar a simples ‘inclusão para o consumo’. Ou seja, com um projeto político-pedagógico de democratização é possível usar o conhecimento adquirido na internet em benefício da comunidade ao redor.

Fernandes, do CDI, concorda que acesso à infra-estrutura tecnológica por si só não produzirá milagres: "Os resultados têm relação direta com o incentivo à capacidade criativa e empreendedora do sujeito para criar novos mercados como alternativas reais de geração de renda, por exemplo".


Realidade brasileira


Segundo dados da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, o número de computadores em uso no Brasil (domicílios e empresas) é de cerca de 33 milhões – 17 por grupo de 100 habitantes (mais ou menos a média mundial). Das cerca de 694 milhões de pessoas que usam a internet em todo o mundo, 13,2 milhões estão no Brasil, segundo um estudo realizado pela Score Networks.


Maria Elisabeth: a longo prazo, será impossível compreender o mundo sem acessar as informações que circulam na internet

No ranking das nações com maior número de internautas, o Brasil ocupa o 11º lugar. Mas esse posicionamento não é relevante. Em recente pesquisa sobre índice de oportunidade digital feita pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão da ONU, o Brasil ficou na 71ª posição. O estudo envolveu 180 países e levou em conta variáveis como: população com acesso à sociedade da informação e potencial de inserção de novos segmentos; custo de conexão à internet; e infra-estrutura tecnológica."A agenda brasileira no que se refere à inclusão digital, que começou a se delinear no final da década de 1990, está longe de ser concluída. Mas este ainda é um tema em aberto, pois faltam indicadores que mostrem essa melhoria. As ações de governo parecem se esgotar após o esforço de instalação de equipamentos e escolha de softwares", diz Fernandes.

O programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac) – previa a instalação de 56.650 pontos de acesso à internet até o final de 2004. A idéia era beneficiar até 95 milhões de brasileiros carentes. Uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da República constatou que, no final de 2004, haviam sido instalados 3,2 mil pontos, dos quais apenas 4% apresentavam condições adequadas de acesso à internet, possuindo entre seis e dez computadores instalados.

Outro ponto em discussão é a democratização do acesso à internet em alta velocidade, utilizando os recursos acumulados no Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Esses recursos, estimados em mais de R$ 5 bilhões em 2006, ainda não foram utilizados. Para Fernandes, é preciso ampliar radicalmente o acesso à tecnologia da informação e conectividade para as populações marginalizadas. "Essa ampliação vai possibilitar a criação de redes sociais de alta interatividade, que instiguem a inovação por meio de aprendizado e trabalho colaborativos", afirma. "A utilização dos recursos do Fust para projetos de inclusão digital trará alto impacto socioeconômico e efeito multiplicador em toda a sociedade."

Computador para Todos é o nome de um programa do governo federal cujo objetivo é a inclusão digital, mas sem vínculo com outro projeto pedagógico paralelo. O programa está focado em cifras. Prevê isenção de tributos para máquinas de até R$ 2,5 mil, facilidades no financiamento de micros de R$ 1,4 mil com configuração predeterminada e acesso subsidiado à internet.

O programa facilita o acesso das pessoas atualmente excluídas, mas, se elas não souberem como usar a ferramenta para obter benefícios, o computador servirá apenas para estimular o consumo, bater papo, mandar e-mails.

Por outro lado, os educadores acreditam que a adoção de software livre – sistema operacional obrigatório nas máquinas de até R$ 1,4 mil, com facilidades no financiamento – é um ponto positivo do Computador para Todos, porque evita monopólios.

Outros programas governamentais como ProInfo e Gesac ou patrocinados pela iniciativa privada e ONGs têm dado ênfase crescente à integração da escola ao mundo das redes digitais. Além disso, leva-se em conta a difusão de competências na criação e gestão de conteúdos audiovisuais digitais. "As políticas públicas são fundamentais para atingir a educação nesse processo", acredita Maria Elizabeth, da PUC-SP. "A escola é um espaço fundamental de inclusão digital."

Para Warschauer, grande parte dos projetos de inclusão digital implementados no Brasil têm foco na universalização dos serviços e na formação para a cidadania. Ele cita o caso de telecentros, infocentros e outras iniciativas. Esses programas disponibilizam, gratuitamente, locais com computadores conectados à internet e pessoas treinadas para ensinar a usar aplicativos.

Muitos projetos de inclusão digital hoje se orientam pela certeza de que o uso da TI é um instrumento de democratização. Mas, segundo os estudiosos da área, são as grandes políticas nacionais que podem potencializar o trabalho dessas organizações e elas ainda não têm a densidade ideológica necessária. Ou seja, é preciso haver grandes políticas públicas que viabilizem as ações da sociedade civil e as tornem mais eficazes.

A discussão sobre o padrão a ser adotado para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) é outro problema relacionado à inclusão digital. Um texto divulgado por especialistas da Cidade do Conhecimento (
www.cidade.usp.br

), em recente seminário realizado em São Paulo, afirma: "Permanecem dúvidas sobre a sua efetividade no sentido de promover a democratização do acesso aos serviços interativos de telecomunicações e a geração de conteúdos diversificados. Tanto no que diz respeito à ênfase educacional, quanto de geração de renda para as populações menos favorecidas".



PROJETOS EXPERIMENTAIS

O Comitê para Democratização da Informática (CDI) é uma experiência de inclusão digital que tem produzido resultados efetivos. Criado no Rio de Janeiro em 1995, já capacitou mais de 500 mil alunos e está presente em 290 municípios de 21 estados brasileiros. O projeto ganhou reconhecimento internacional e está implementado também em países da América Latina e na África do Sul. "Acesso à tecnologia significa riqueza e poder. É preciso haver mecanismos que possibilitem compartilhar o conhecimento de forma a redistribuir essa riqueza e esse poder", acredita Celso Fernandes, coordenador do CDI/RJ.

Duas características marcam o trabalho do CDI: a ação em rede e a promoção da informática como ferramenta de desenvolvimento pessoal e comunitário. "A tecnologia tanto pode servir para a conscientização quanto para a alienação. Sem conteúdo pedagógico, a tecnologia pode levar a uma tragédia", afirma Fernandes.

A Rede CDI é formada por CDIs regionais e internacionais. A matriz, localizada no Rio de Janeiro, acompanha as atividades desenvolvidas pelos diversos comitês.

Uma vez constituído, cada CDI gerencia um grupo de Escolas de Informática e Cidadania (EIC), espaços não-formais de ensino. Essas escolas são criadas em parcerias com diversas entidades. A metodologia de trabalho utiliza o acesso ao mundo digital como ponto de partida para o entendimento e a transformação da realidade. "Nossos alunos são estimulados a refletir criticamente sobre suas necessidades e seus direitos e, principalmente, para o que é ser cidadão", diz Fernandes.

Todo o trabalho realizado nas EICs é contextualizado de acordo com a realidade da comunidade atendida. Os conteúdos didáticos aplicados estimulam a reflexão e as discussões de temas como direitos humanos, sexualidade, não-violência, ecologia e saúde. Como resultado, os alunos aplicam o conhecimento dos softwares e o que aprenderam nos debates em projetos concretos para a comunidade. São estimulados criação de jornais comunitários, produção de documentos sobre a história do bairro, bancos de dados, projetos de preservação do meio ambiente etc.

A principal função dos CDIs é fornecer tecnologia e formação para os educadores e coordenadores, selecionados na comunidade pela entidade parceira no projeto. Os comitês também prestam assessoria administrativa às EICs, auxiliam no desenvolvimento de metodologias e currículos específicos e são responsáveis pelo direcionamento das doações de computadores, impressoras e softwares.

As EICs têm baixo custo operacional e são auto-sustentáveis financeiramente. O projeto prevê o pagamento de mensalidades (simbólicas) e doações. O dinheiro arrecadado é gerenciado pela própria comunidade. Aproximadamente 50% da receita é distribuída entre os educadores e a manutenção da escola. Os alunos que não podem pagar contribuem com as tarefas relacionadas ao funcionamento da escola.

Antes de instalar uma nova escola, o CDI realiza pesquisas de viabilidade e um estudo das estratégias de sustentação local. "Tudo porque elas são idealizadas para durar. São projetos que devem ser contínuos", explica Fernandes.

O CDI expandiu sua atuação para outros países. Sua metodologia de trabalho está presente também na Argentina, Uruguai, Chile, México, Colômbia, Equador e África do Sul. Nos Estados Unidos, o Comitê mantém um escritório de representação para captação de recursos. Segundo o coordenador do CDI, das 900 escolas em funcionamento hoje, 175 estão no exterior.



GARAGEM DIGITAL

Garagem Digital é o nome de um programa de inclusão da HP Brasil em parceria com a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Criado em 2001, o objetivo do programa é oferecer conhecimento de informática a jovens de 14 a 24 anos. Essa iniciativa visa melhorar a auto-estima dos participantes e integrá-los ao mercado de trabalho.

O processo de formação consiste em 300 horas/aula voltadas para as possibilidades de uso de tecnologias da informação e de comunicação. O programa aborda também conhecimento nas áreas de Administração e Marketing, Arte e Design, Ciências Sociais e Linguagem e Comunicação.

O Garagem Digital utiliza uma metodologia de formação que pretende ir além dos ensinamentos técnicos. Todo o trabalho é voltado para a conscientização dos jovens. A proposta é que cada um dos participantes use as tecnologias como potencial ferramenta no exercício da cidadania. "Queremos contribuir para que o aluno possa expandir seus horizontes, participando de maneira ativa e capaz na sociedade", diz Juarez Zortea, coordenador de responsabilidade corporativa da HP.

As Garagens Digitais simulam um ambiente de trabalho. As salas são equipadas com computadores conectados à internet, impressoras, datashow, câmeras digitais fotográficas e de vídeo da HP.

Durante as aulas são desenvolvidos sites com temas e assuntos variados. Esses trabalhos são apresentados na conclusão dos cursos. "Os participantes devem sair preparados para o mercado de trabalho e para aplicar os conhecimentos adquiridos tanto em sua vida pessoal quanto na comunidade em que vivem", diz Zortea.

Ao final do projeto, os jovens podem cadastrar seus currículos na Rede de Oportunidades, um portal em que empresas, universidades, indivíduos, organizações governamentais e não-governamentais divulgam cursos e oportunidades de trabalho.
Os espaços onde estão instaladas as garagens digitais não são fechados. Moradores da comunidade têm acesso livre e podem freqüentar cursos básicos de informática, por exemplo. Na instalação das garagens, a HP Brasil fornece tecnologia e apoio financeiro e a Fundação Abrinq avalia, monitora e coordena o projeto.



PARCERIA DE GIGANTES


Rose Salvini: uso da tecnologia significa compartilhar uma nova consciência

A Intel é outra empresa focada em inclusão digital. Seu programa Intel Educação para o Futuro é voltado para a formação de professores de escolas públicas e privadas. O objetivo é capacitar esses profissionais na utilização da informática como ferramenta auxiliar do processo educacional.

A iniciativa visa eliminar as barreiras que os professores enfrentam para utilizar a tecnologia da computação em sala de aula. "Existe uma resistência pedagógica ao uso dessas ferramentas. É preciso mostrar a esses profissionais que o uso da tecnologia significa compartilhar uma nova consciência. Isso pode fazer uma grande revolução na educação", acredita Rose Salvini, gerente de programas de educação da Intel no Brasil.

Os cursos com duração de 40 horas-aula divididos em dez módulos são realizados em parceria com a Fundação Bradesco e com o Senai. "Nossa proposta é integrar o uso da tecnologia da computação aos conteúdos oferecidos em salas de aula para melhorar o aprendizado e o progresso dos alunos", afirma Rose.

A Fundação Bradesco é a responsável pelo treinamento dos chamados "professores mestres", profissionais que atuam em escolas públicas e particulares brasileiras. Cada mestre é um multiplicador, treinando outros professores com a supervisão do Senai.
Durante o processo de capacitação, os mestres aprendem a incorporar ferramentas e recursos da tecnologia em seus planos de aula. Aprendem a criar ferramentas de avaliação e a alinhar as aulas aos padrões da região onde atuam. "Os estudantes precisam acompanhar o desenvolvimento contínuo da tecnologia, e o papel do professor é fundamental", acredita Rose.



INFORMÁTICA GESTORA

Gestão Escolar e Tecnologias é um projeto voltado ao uso da tecnologia em escolas. A iniciativa é da PUC-SP, em parceria com a Microsoft e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. O projeto visa orientar diretores e gestores escolares sobre as potencialidades do uso da tecnologia da informação nas escolas.

"A escola é um espaço fundamental de inclusão digital mas, se o gestor não estiver envolvido no processo, fica difícil para o professor incorporar as tecnologias em seu trabalho na sala de aula", acredita Maria Elizabeth Bianconcini, coordenadora do projeto.

A metodologia se baseia numa articulação entre a prática do gestor, as teorias educacionais e o uso das tecnologias no cotidiano da escola. "É uma proposta interativa, que leva em conta a realidade da escola", conta Maria Elizabeth.

O curso de formação tem duração de 80 horas distribuídas ao longo de quatro meses, sendo presencial e/ou a distância. Cada turma de 40 alunos é acompanhada por um professor responsável pela qualidade e execução do projeto pedagógico previsto.

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