Ação coletiva

Plano de Leitura busca mapear experiências bem-sucedidas e reinventar bibliotecas

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Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo: missão do PNLL é não só levar bibliotecas a todos os municípios do país, mas torná-las organismos vivos

Uma política pública de leitura voltada ao usuário final, e não à cadeia produtiva do livro. Assim o professor e editor José Castilho Marques Neto vê o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), do qual é secretário-executivo.

Derivado do programa VivaLeitura e instituído no ano passado, o PNLL é a primeira iniciativa conjunta dos ministérios da Educação e da Cultura na área desde que as pastas foram divididas. Integra, também, estados, municípios e entidades que trabalham na área do livro e leitura. Com objetivos, metas e princípios definidos, a iniciativa tem quatro eixos: democratização do acesso; fomento à leitura e formação de mediadores; valorização da leitura e comunicação; apoio à economia do livro.

As próximas ações, ainda de caráter estruturante, serão a realização de duas oficinas: uma para chegar a um consenso sobre a metodologia para avaliar o letramento e estabelecer um diagnóstico, que ocorrerá até o meio do ano; e uma segunda, sobre formação de mediadores, prevista para acontecer até setembro. 

"Não vamos dissociar o livro da leitura, a leitura do letramento. Livro são todos os suportes, inclusive os virtuais. Precisamos saber como estão sendo absorvidas as tecnologias contemporâneas, quanto se lê por computador, quem lê", explica Marques Neto.

O Plano parece ter boa acolhida. Dos entrevistados por Educação, a maioria mostrou-se receptiva. Regina Zilberman, do CNPq, aponta o mérito de não se querer "reinventar a roda". "A idéia básica é valorizar os programas existentes, que estão sendo mapeados", diz. Até agora, mais de 200 ações de todo o Brasil estão disponíveis no site (
www.pnll.gov.br

).

Para Theodoro Silva, da ALB, a experiência de Marques Neto – ex-diretor da Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo, e atual presidente da Editora da Unesp – dá credibilidade ao projeto. No entanto, diz que é urgente melhorar a estrutura do estado, especialmente a rede de bibliotecas públicas. "Cinqüenta por cento das escolas não têm biblioteca", reclama.

Um dos objetivos do plano é zerar, até o final de 2008, o número de municípios sem bibliotecas no Brasil, hoje 595. Até lá, serão entregues kits com duas a três mil obras, computadores e programas de gerenciamento e classificação.

Mas, como diz Vera Masagão, da Ação Educativa, é preciso que sejam espaços vivos, que comportem as diversas mídias. "Senão, vira um depósito de livros." O projeto atribui às bibliotecas a missão de serem "pólos difusores de informação e cultura, centros de educação continuada, núcleos de lazer e entretenimento e de criação e fruição de bens artísticos e culturais".

"Não conheço nenhuma que cumpra todas essas funções hoje no Brasil. Teremos de criar e modernizar bibliotecas", admite Marques Neto. O modelo é a experiência da Biblioteca Luis Ángel Arango, de Bogotá, Colômbia, que coordena uma rede de 28 sucursais, o Museo Del Oro e uma biblioteca virtual com mais de 70 mil páginas publicadas. Tudo isso chancelado pelo Banco da República da Colômbia, o equivalente ao nosso Banco Central.

A elevação do status das bibliotecas ao mesmo patamar da moeda nacional trouxe bons resultados. Deu opções de atividades aos jovens e, com isso, ajudou a diminuir a violência.



Para saber mais
 Biblioteca, de Luís Milanesi
(Ateliê Editorial, 2002)
 Escola, Sala de Leituras e Bibliotecas Criativas,
de Lucila Martinez e Gian Calvi (Global, 2005)

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