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Fórum reflete a trajetória de construção e consolidação das instituições de ensino em busca do aperfeiçoamento dos processos de gestão e da qualidade por …

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Fórum reflete a trajetória de construção e consolidação das instituições de ensino em busca do aperfeiçoamento dos processos de gestão e da qualidade

por Luís Patriani

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A avaliação precisa e constante para a melhoria do processo de gestão das instituições de ensino superior particulares brasileiras e amplificação do acesso e da qualidade universitária marcam os 15 anos de realização do Fórum Nacional do Ensino Superior Particular (Fnesp). A 15ª edição do evento, que ocorre no Hotel Renaissance, em São Paulo, nos dias 26 e 27 de setembro, tem como tema a “Competitividade e mudanças no DNA Institucional”, reforçando o compromisso do fórum que se consolidou ao longo desses anos como um importante espaço de reflexão, debate e construção de mecanismos para a evolução do setor.

Futuro em construção
Há quinze anos, em 1999, a ideia de criar o evento tinha como foco a necessidade de alinhar dogmas e práticas em virtude dos desafios que a chegada do novo milênio e sua exigente sociedade do conhecimento impunham. As metas para a primeira década do século 21 eram aprimorar as ferramentas de gestão e planejamento estratégico e traçar um plano de ação a fim de absorver a crescente demanda de alunos nas instituições privadas, que chegava, até então, a 68% das vagas destinadas ao ensino superior. Hoje esse percentual gira em torno de 74% de um total de 6,7 milhões de matrículas.

“No início, precisamente ao longo dos cinco primeiros anos, as discussões estavam mais voltadas para dentro das instituições, na capacidade de gestão. Com o tempo e as melhorias de procedimentos internos, passaram a ser abordados pontos como os processos de aprendizagem dos alunos, tema este que é contínuo e se faz presente até hoje”, diz Thiago Rodrigues Pegas, diretor da Cetec Educacional e diretor do Segmento de Faculdades do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp).

Na visão de Gabriel Mario Rodrigues,  ex-presidente do Semesp e fundador da Universidade Anhembi Morumbi, os fóruns de debate do evento são sintomáticos e representam uma nova mentalidade em torno da educação no Brasil, outrora elitizada. “No passado não havia uma convergência para temas primordiais de desenvolvimento do país, como a educação. Atualmente, e o Fnesp sintetiza isso desde o começo, a visão de evolução do Brasil é focada no planejamento dos recursos humanos. A educação brasileira hoje em dia é discutida por todos, desde o erudito até o taxista”, comemora.

A democratização do ensino superior, em face da estagnação da capacidade de absorção das universidades públicas, e sua premente necessidade de caminhar em direção a níveis de qualidade correspondentes ao seu papel de protagonista na sociedade são temas recorrentes no fórum desde sua criação, mas ganharam força a partir da sexta edição do evento.

Por dentro das demandas 
Os debates mergulhavam então no mapea­mento dos aspectos positivos e negativos de temas como a diversificação das carreiras e da flexibilização dos currículos promovidos pelas instituições de ensino particulares, atendendo a uma demanda crescente do mercado na qual as empresas valorizam cada vez mais o conhecimento e as habilidades do indivíduo do que o diploma. Outro aspecto novo que passara a ser abordado era o conceito de fidelização do aluno, feito através de cursos de curta duração e sequenciais, além da adoção da tecnologia como metodologia de ensino.

“As discussões sobre a educação continuada e cursos de curta duração passaram a acontecer no fórum porque já se mostravam como uma tendência clara de mercado, mas era preciso melhorá-las. Por sua vez, as ferramentas de ensino a distância, assim como novas metodologias, agora estão cada vez mais robustas e, desse modo, entram no debate”, afirma Fernando Trevisan, diretor da Escola de Negócios Trevisan e diretor financeiro do Semesp.

De dentro para fora
O tema imagem já fazia parte da pauta em 1999, quando se abordava a urgência de criar um canal de comunicação voltado para a sociedade que divulgasse ações positivas do universo do ensino superior particular. Desde então o ensino superior vem, aos poucos, ganhando maior discussão por parte da grande mídia. No entanto, para Thiago Pegas, o assunto ainda é abordado muitas vezes de forma rasa ou equivocada. “Nossa comunicação ainda está muito voltada para dentro das mantenedoras. Precisamos divulgar mais a nossa imagem para a sociedade, falar com as pessoas de fora e diminuir o estigma de mercenárias que as faculdades privadas carregam”, defende o diretor da Cetec Educacional.

Por outro lado, de acordo com Gabriel Mario Rodrigues, o processo de fidelização dos alunos por meio do aprimoramento de diversos procedimentos, cursos e atendimentos vem melhorando a cada ano e corrobora uma nova imagem de qualidade que tem sido fomentada. “Há dez anos não se sabia medir a satisfação do aluno e a real condição de mantê-lo nas instituições. Hoje existem processos informáticos de acompanhamento que permitem dizer qual aluno não está contente e pode abandonar a faculdade”, comenta Gabriel.

Se as instituições de ensino superior conseguiram criar um bom método de avaliação de satisfação dos seus cursos e alunos, o mesmo não se pode dizer dos procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Educação para apurar a qualidade dos cursos. Essa relação é um tema que acompanha o Fnesp ao longo do tempo, pois impacta também a imagem do setor. “O padrão do MEC é confuso. Um exemplo disso é a valorização do Enem, em que o aluno dá o melhor de si, ao contrário do Enade, que acaba sem a mesma contrapartida de desempenho, uma vez que não há o compromisso com a nota por não sair no histórico do estudante. Além disso, as instituições acabam sem acesso aos resultados e sem saber quantos alunos ficaram abaixo da média nem quais as questões deficitárias”, revela Cecília Anderlini, diretora-geral das Faculdades Integradas de Botucatu e diretora financeira do Semesp.

Na esteira dos debates em torno da qualidade desde os primeiros fóruns, temas difíceis como impacto da globalização no sistema universitário, a relação das instituições com as empresas, a internacionalização do ensino superior, empreendedorismo, financiamento e a falta de pesquisa nas instituições privadas são desmistificados e ganham força nas atuais gestões.

Na opinião de Thiago Pegas, é preciso agora evoluir na politização do debate para avançar na construção das políticas para o setor. “A regulamentação não é clara e as exigências vão além da lei, por meio de regras normativas que atrapalham. Mas para enfrentar este cenário é preciso caminhar numa mesma direção. Os debates futuros precisam ser feitos com a participação de membros do primeiro escalão do governo”, conclui.

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