A terra prometida

Israel concentra as atenções no mapa global das escolas democráticas

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Israel está no centro das atenções mundiais da corrente educacional que contemporaneamente se apresenta como democrática.  Hoje, cerca de 25 escolas identificadas com o modelo estão em atividade na rede pública de ensino do país e mais de uma centena se prepara para ingressar nessa verdadeira revolução da educação local. Em Bat-Yam, na área costeira, a 8 quilômetros de Tel-Aviv, o prefeito investiu para levar a proposta a todas as 40 escolas da cidade, agora reverenciada como uma espécie de capital  nacional da educação. 

Muito dessa mudança vem do trabalho do psicólogo e educador Yaacov Hecht. Disléxico e com um longo histórico de dificuldades por toda a vida escolar, Hecht aprendeu a ler aos 13 anos de idade e somente aos 17 deparou-se com a leitura do primeiro livro, o clássico
Como amar uma criança

. E bastou descer os olhos sobre as páginas de Janusz Korczak para traçar um projeto de vida em defesa de um modelo educacional diferente. Aos 51 anos, ele é uma espécie de embaixador das escolas democráticas e crítico do ensino convencional.

Em 1987, fundou a primeira escola democrática do país, em Hadera, reconhecida em 1994 com o Prêmio Nacional de Educação. No final dos anos 90, esteve à frente da criação do Instituto para Educação Democrática (
The Institute for Democratic Education – IDE

), criado para difundir a educação democrática e realizar o intercâmbio de uma rede internacional de escolas democráticas. A isso, somou-se o desafio de criar um conceito para todo o sistema educacional israelense.

Yaacov criou o programa
Schools Experiencing Democracy

. Hoje, a iniciativa reúne 150 escolas, predominantemente em áreas da periferia.  "É uma reforma de grandes proporções. No último ano, o governo investiu o equivalente a US$ 8 milhões", calcula.

Para amparar o novo modelo, políticas públicas e o suporte do IDE motivaram a criação da  primeira faculdade de educação democrática, em atividade desde 2001 no Kibbutzim College, em Tel-Aviv, o mais renomado centro de formação docente do país. O curso já formou 200 educadores e outros 250 estão em formação.


Expansão


Dados do  IDE apontam a expansão da educação democrática também na Ásia,  em particular na Coreia, sede da 17ª conferência anual, que acontece em agosto. Cerca de 10 escolas sul-coreanas se identificam como democráticas.

Na Europa, o mais recente esforço de articulação veio em 2006, com a criação da Comissão Europeia de Educação Democrática. Hoje, a entidade reúne cerca de 130 membros ativos, em 17 países, e estima a existência de aproximadamente 80 escolas democráticas em todo o continente.

Nos Estados Unidos, os números do IDE indicam 83 escolas, em 33 estados e territórios. Ao contrário da experiência israelense, entre as norte-americanas prevalece o ensino pago, a exemplo da Sudbury Valley School, fundada em 1968, com anuidade escolar em torno de US$ 6,5 mil. A novidade é que já há entidades e consultorias interessadas em multiplicar a proposta na rede pública e explorar a comercialização de serviços.

É o caso da SoundOut, cujo slogan segue a linha de dar voz aos estudantes nas escolas (
Promoting student voice in school

)  e da The Big Picture Company, que se anuncia como o modelo da educação do futuro. A entidade estimula doações financeiras para levar o modelo à rede escolar pública, com a proposta de diminuir a evasão e incorporar os princípios da educação democrática. Na Oceania, a Austrália entra com o exemplo mais antigo, a Currambena Primary School, em atividade desde 1969.

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