A sala do RH

Área de recursos humanos deixa de ser incorporada por terceiros e abandona a simples função de “departamento pessoal” para assumir funções mais estratégicas dentro das escolas

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No mundo corporativo, as atividades da área de recursos humanos são bastante conhecidas e, de alguns anos para cá, estão conquistando cadeira cativa em reuniões estratégicas de negócios das empresas. Em um passo mais lento, isto também vem acontecendo nas escolas de ensino básico. O velho departamento pessoal (famoso DP) está ficando para trás e uma nova área de gestão de pessoas vem crescendo, ganhando espaço, mostrando resultados e ficando cada vez mais profissional. Ainda não existem números que demonstrem a consolidação da gestão de pessoas em escolas, mas existe um olhar otimista nessa direção. “Em pequenas instituições de ensino, a função do RH pode ser incorporada pelo próprio diretor pedagógico. Já no caso de grandes estabelecimentos, a adoção de uma área bem estruturada se justifica por conta de uma alta demanda”, explica Luiz Edmundo Rosa, diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional).

Valores
Foi o que aconteceu no paulistano Colégio Santo Américo, conforme conta a coordenadora pedagógica, Elenice Lobo. “Nosso RH deixou de ser uma simples área de suporte e serviços, e transformou-se em um importante parceiro na disseminação dos valores do colégio para todos os seus públicos – professores, funcionários, pais e alunos.”
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Como em uma empresa, o profissional de recursos humanos de uma escola deve estar alinhado com os propósitos da instituição e buscar os melhores resultados que, no caso da educação, muitas vezes, aparece de maneira intangível. As escolas que decidem por aprimorar a gestão de pessoas têm nas mãos a oportunidade de aperfeiçoar colaboradores, para que eles atendam, de maneira integral, às necessidades institucionais.

Segundo Paulo César de Almeida Pereira, coordenador de RH do Colégio Santo Américo e responsável pela gestão de 700 funcionários, a conscientização dos gestores das escolas de Educação Básica no que diz respeito à estruturação do RH vem crescendo, mas ainda requer atenção e investimentos. “Participo de um grupo de discussões com outros gestores de recursos humanos e posso afirmar que existe sim uma preocupação latente com o desenvolvimento da área nas escolas, mas ainda não existe uma ‘grande onda’ de investimentos”, revela Paulo, que desde 2010 realizou oito treinamentos, está implantando política de cargos e salários e já aplica avaliação por competência. “Os professores precisam passar por formações, os currículos precisam ser revistos, tanto com relação aos conteúdos como nas metodologias de ensino”, alerta Luiz Edmundo.

Vocação
Investir na capacitação, proporcionar um bom ambiente de trabalho – com segurança e estabilidade  – oferecer benefícios de ponta e normatizar as políticas de cargos são responsabilidades que o RH possui e que impactam diretamente o maior patrimônio das escolas:
professores e funcionários. “Os colaboradores são o maior bem que uma escola pode ter. Profissionais bem selecionados, motivados, reconhecidos e, de certa maneira, com vocação para a educação, falam melhor a língua da escola, transmitem em suas atividades o DNA da instituição e isso não tem preço”, afirma Rubens Molina Pierozzi, professor no curso de gestão de RH das Faculdades Rio Branco. O professor pontua ainda que os profissionais com real talento e abertos a absorverem a cultura das escolas são raros e devem ser tratados como prata da casa.

As áreas de RH recebem algumas exigências das instituições de ensino em termos de competências, tais como a legislação específica para o pagamento de horas trabalhadas pelos professores. No caso do Colégio Santo Américo, todo o sistema de folha de pagamento é automatizado, conforme explica seu coordenador. “Toda a demanda de folha de pagamento de funcionários administrativos e de professores é automatizada e segue suas legislações específicas, o mesmo acontece com o ponto eletrônico. Estamos, a cada dia, trabalhando para tornar nossa área mais moderna e estamos sempre abertos para a inovação”, diz.

O desenvolvimento de tecnologia e serviços especiais para atender às instituições de ensino no que envolve o RH está em crescimento. É o que afirma Manuela Calumby, sócia da Search Consultoria. “Tenho visto que novas tecnologias estão chegando com mais força ao país por meio de bons prestadores de serviços. A facilidade da ida de profissionais brasileiros para fora em busca de novas ideias está agregando muita coisa boa e inovadora para o RH de maneira geral”, comemora.

Tendências do setor
O RH do futuro para as escolas, de certa maneira, seguirá as diretrizes do RH das empresas, como historicamente já ocorre. Ele estará mais próximo da estratégia da instituição com foco no resultado, ou seja, a entrega de um serviço de boa qualidade. Para Molina, um trabalho conjunto entre escolas e sindicatos poderá ajudar na formação desses profissionais.

“Acredito que a junção de esforços em busca de uma formação específica só agregará e, neste caso, o ensino corporativo ou in company pode ser um agente transformador desses profissionais”, indica Molina.

É por essa linha que segue Luiz Edmundo, da ABRH. O consultor diz que a modernização e a inovação das áreas de RH dentro das escolas poderão sim chegar ao patamar de grandes corporações, com processos sólidos e visíveis. Já Manuela prevê a retenção de talentos. “O que acontece nas empresas acaba se refletindo nas escolas: a escassez de talentos. E, contando com isso, acredito que um trabalho de retenção e desenvolvimento de talentos seja de suma importância. Desenvolver um talento, monitorá-lo (mesmo que ele deixe a instituição) e fazer com que ele retorne são processos relevantes”, acredita.

Mas, para que isso aconteça, o RH precisa estar extremamente maduro e ciente de todas as suas responsabilidades dentro da escola e isso leva tempo, investimento e requer muita dedicação de todos os envolvidos.








Principais processos nas escolas


Suporte a serviços como folha de pagamento e marcação de ponto.
Planejamento: políticas de cargos e salários, planos de carreira específicos para profissionais da área, planos de sucessão e pacote de benefícios atrativos e condizentes com o mercado.
Recrutamento e seleção: buscar e encontrar profissionais competentes, talentosos, com vocação para área de educação (mesmo que não sejam professores) e com flexibilidade para absorver a cultura da escola.
Treinamento e desenvolvimento: elaborar um plano de treinamentos que mire o desenvolvimento do profissional; ajudá-lo a enxergar-se como parte do organismo da escola e incentivá-lo a trocar ideias por melhorias de processos internos; reconhecer os colaboradores mais dedicados e engajados.



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