“A qualidade deve ser boa para todos”

Henna Virkkunen, ministra da Educação da Finlândia Alçada à condição de ministra da Educação e Ciência da Finlândia em dezembro de 2008, Henna Virkkunen, …

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Henna Virkkunen, ministra da Educação da Finlândia

Alçada à condição de ministra da Educação e Ciência da Finlândia em dezembro de 2008, Henna Virkkunen, de apenas 37 anos, é membro do Partido de Coalizão Nacional. Formada em filosofia, chegou ao parlamento finlandês em 2007. É membro do Comitê de Meio Ambiente e, desde 1997, faz parte do Conselho da cidade de Jyväskylä, no sul do país. Aponta o desequilíbrio entre a educação oferecida em cidades grandes e pequenas como principal desafio a ser vencido no atual quadro educacional finlandês.


Quais os principais desafios que o sistema educacional finlandês enfrenta hoje?


Os finlandeses estão mais concentrados nas cidades grandes. O interior passa a ser um problema porque apenas os mais idosos moram lá. É um desafio ter um bom sistema educacional no interior porque não há quase crianças por lá. A distância se torna outro problema, já que muitos alunos têm de viajar uma hora de ônibus para a escola. É importante que eles tenham escolas perto de onde moram. E a qualidade deve ser muito boa em todas as escolas.


Vocês têm tido algum tipo de problema com a autonomia do sistema educacional?


Estou um pouco preocupada com as diferenças entre municípios. Alguns estão perdendo pessoas para as grandes cidades. Estamos olhando com cuidado para esse sistema de liberdade: podemos tê-lo? No futuro, deveremos ter um pouco mais de controle, para que possamos garantir que todos os estudantes em diferentes escolas tenham o mesmo nível. Há diferenças entre os municípios porque eles realmente têm muita liberdade. Mas se você olhar os resultados de leitura do Pisa, as diferenças entre os alunos finlandeses são as menores do mundo. Não temos tido nenhum tipo de problema até agora. Só queremos cuidar para que no futuro essas diferenças não apareçam.


Esse tipo de liberdade se reflete na sala de aula, com os alunos?


O próprio professor decide qual é o melhor ritmo para a sala de aula. É importante, entretanto, mudar aquela ideia de que o professor é o único que fala e os alunos apenas escutam. Nossas crianças são muito ativas e têm de encontrar caminhos sozinhas. Eles têm de trabalhar em grupos. Na vida profissional, você tem de ser muito independente e descobrir como pode descobrir as coisas – ao mesmo tempo, você também tem de respeitar outras pessoas. É necessário ter habilidades para trabalhar em time. As escolas caminham nesse sentido hoje em dia. Eu ainda acho que os alunos estão muito quietos e poderiam trabalhar mais nesse sentido. Visitamos uma escola de segundo ciclo do ensino fundamental no Canadá e os alunos tiveram possibilidade de perguntar coisas para nós. Todos eles levantaram as mãos. Na Finlândia, os alunos ainda têm vergonha e não querem perguntar.


Qual a visão do Ministério da Educação sobre o uso da tecnologia em sala de aula?


Estamos estudando como usar a tecnologia na educação. Ainda há professores que não sabem lidar com isso. Estamos investindo no próximo ano para atualizar 34 mil professores nesse sentido. Para pensar em qualidade da educação, precisamos atualizar as habilidades deles. A tecnologia é uma das coisas que causa muita diferença entre as escolas. Fica a cargo dos diretores e mesmo dos professores escolher. Há escolas não tão bem preparadas. É uma área em que precisamos de uma nova estratégia nacional.
(Beatriz Rey)

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