Livro descreve com rigor científico a pré-história brasileira

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Divulgação
Ilustrações de Julio Lacerda extraídas do livro Dinossauros e outros monstros

 

Luiz Eduardo Anelli é professor de paleontologia do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) e há dez anos, aproximadamente, ocupa boa parte de seu tempo dando aulas, escrevendo livros e organizando exposições sobre dinossauros e a pré-história brasileira. A publicação de Dinossauros e outros monstros – Uma viagem à pré-história do Brasil, lançada pela editora Peirópolis em parceria com a Edusp, confirma as credenciais de Anelli como um dos grandes especialistas no assunto.

A obra recém-lançada tem o mérito de destacar o passado das terras que habitamos, conhecimento pouco explorado na educação escolar, que quase sempre aborda a vida pré-histórica de regiões distantes. “Ignoramos os dinossauros e seres que aqui viveram, bem como tudo o que este imenso país atravessou por centenas de milhões de anos para chegar ao que é”, enfatiza o autor na introdução do livro.

Ao ler o texto, ficamos sabendo que dentre os dinossauros que viveram em nossas terras, alguns estão entre os primeiros do mundo. É o caso do Pampadromaeus, que viveu 230 milhões de anos atrás no território hoje ocupado pelo Rio Grande do Sul. Ele chegava a 1,20 m de comprimento, pesava em torno de 15 kg e era muito ágil a julgar pelo esqueleto encontrado próximo à cidade de Agudo. Uma detalhada análise mostrou que a espécie tinha ossos ocos, dentes perfurantes e bem espaçados e um crânio articulado por ligações móveis.

O professor também nos ensina que, há 23 milhões de anos, um lago com 170 km de extensão ocupava o exato lugar onde hoje está o vale do rio Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo. Foi às margens dessas águas que viveu o maior dinossauro da era Cenozoica, o Paraphysornis brasiliensis. Esse superpredador, temido por grande parte da fauna local, alcançava 3 m de altura e pesava 150 kg. Seu bico era semelhante ao de uma águia, com o detalhe de ser dez vezes maior. Não por menos, o dinossauro ganhou o carinhoso apelido de ave-terror.

Esses e outros episódios são apresentados de forma didática, mas com alto rigor científico. A clareza é reforçada pela presença de uma série de infográficos e pelas ilustrações de Julio Lacerda, que produziu um mostruário repleto de informações detalhadas sobre 39 espécies de dinossauros e outros monstros pré-históricos (monstros pela dimensão das catástrofes que enfrentaram, como sinaliza o professor).

 


Outras leituras

Descobrindo os bichos da praia, de Humberto Conzo Junior
(Matriz Editora, 40 págs., R$ 34,90)
Uma apresentação dos principais bichos que podemos encontrar e observar nas praias,  como peixes, aves, águas-vivas, bolachas-do-mar e ouriços. Biólogo e historiador, o autor descreve as características centrais de cada um e destaca algumas curiosidades, como a diferença entre os siris e os caranguejos.

A mentira da verdade, de Joaquim de Almeida (SM, 64 págs., R$ 42)
Adaptação para a linguagem de HQ de um mito de criação iorubá. Segundo esse relato, a divindade Olofi teria criado o mundo a partir de contrários: o silencio e o batuque; a ordem e o caos; a terra e o mar e assim por diante. O equilíbrio entre os opostos é ameaçado pela ”inveja”, que incute na ”mentira” o desejo de enfrentar a ”verdade”.

Os azuis, de Maurício de Souza e ilustrado por Elizabeth Teixeira
(Companhia das Letrinhas, 48 págs., R$ 34,90)
Histórias em quadrinhos clássicas estão sendo transformadas em livros ilustrados por respeitados artistas nessa coleção integrada por Os azuis. Publicada originalmente em 1971, a narrativa aborda, de forma sutil, o preconceito racial. Todos no bairro do Limoeiro ficam azuis, com exceção de Mônica, que passa a ser rejeitada.

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