A nave de Kubrick

Em artigo de 1997, o escritor Ruy Castro define Stanley Kubrick (1928-1999) como “um homem da Renascença, que, por viver no século 20, convergiu …

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Em artigo de 1997, o escritor Ruy Castro define Stanley Kubrick (1928-1999) como “um homem da Renascença, que, por viver no século 20, convergiu seus talentos específicos para o cinema, talvez a única forma de expressão capaz de absorvê-los”. A partir deste mês de outubro, uma exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, tenta apresentar essa complexidade do perfil do cineasta norte-americano ao público brasileiro, destacando a originalidade de suas criações, as inovações técnicas, a variedade temática e influências posteriores na produção cinematográfica mundial. São centenas de fotos, documentos e objetos utilizados em cenas de seus filmes, além de vasto material audiovisual, reunidos pelo curador Hans-Peter Reichmann, do Deutsches Filmmuseum de Frankfurt, com a ajuda de Christiane Kubrick, viúva do diretor, fotógrafo, roteirista e produtor.

A primeira parte da exposição, que permanece no MIS até janeiro de 2014, destaca a importância da fotografia para o cineasta e sua evolução nesse meio. O público conhece as lentes originais usadas por Kubrick nas gravações dos filmes e uma coleção de troféus, vídeos e fotografias do início de sua carreira, em 1945, na revista Look, cinco anos depois de ganhar uma câmera do pai.

Na segunda parte da mostra, é possível caminhar por seções temáticas sobre os filmes Glória feita de sangue (1957), Dr. Fantástico(1964), Barry Lyndon(1975), O iluminado (1980), Lolita (1962), 2001: uma odisseia no espaço (1968), Spartacus (1960), Laranja mecânica (1971), Nascido para matar (1987), De olhos bem fechados (1999) e A.I.: Inteligência Artificial (2001) – projeto de Kubrick finalizado por Steven Spielberg. Há ainda pesquisas, objetos cênicos e registros fotográficos de longas jamais finalizados, como Napoleão e Aryan papers (Documentos arianos, em tradução livre).

A exposição, que já passou por Alemanha, Austrália, Bélgica, Suíça, Itália, França, Holanda e Estados Unidos, conduz o público a um final que destaca o minucioso processo de escolha das músicas a depender do impacto psicológico que o diretor buscava provocar de acordo com as cenas. O MIS também recebe, entre 11 e 17 de outubro, a Retrospectiva Kubrick, exibição da filmografia do cineasta e prévia da 37ª Mostra Internacional de Cinema, além de duas aulas magnas com o produtor de cinema Jan Harlan, cunhado de Kubrick.

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