A marcha brasileira

Em São Paulo, Marcha Latino-Americana pela Educação restringe reivindicações à presença da PM no campus da USP; Ocupa Sampa não apresenta propostas à área

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Joyce Jennie
Alunos da USP participam da Marcha Latino-Americana pela Educação

Na última quinta-feira (24), estudantes chilenos convocaram a Marcha Latino-Americana pela Educação, com o objetivo de lutar por uma educação pública e de qualidade. Em Santiago, onde os estudantes estão em greve há sete meses, a marcha reuniu aproximadamente 12 mil pessoas. Na Colômbia, país que enfrenta um confronto educacional similar ao do Chile, a marcha se organizou em diversas cidades do país e contou com a participação de 10 mil jovens.


Em apoio ao movimento, outros países do continente se juntaram à marcha, como Peru, Argentina, Bolívia, Uruguai e Venezuela. O Brasil também manifestou seu apoio. Em São Paulo, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) fecharam a Avenida Paulista durante a tarde e se reuniram no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para o que eles chamaram de uma “aula de democracia”, ato contra a declaração do governador Geraldo Alckmin sobre a ocupação da reitoria por alunos no começo do mês.


A discussão, no entanto, permaneceu em torno da questão da presença da Polícia Militar no campus da universidade e da permanência do reitor João Grandino Rodas, acusado de corrupção e não reconhecido pelos estudantes. Tatiane Ribeiro, membro do DCE e do comando de greve da USP, explicou que todos os países da América Latina receberam um convite para participar da marcha: “nós achamos que tinha tudo a ver, porque quando discutimos a presença da PM no campus, a questão da segurança e da repressão, também estamos discutindo o que é o conceito de educação para nós”, diz. Sobre a existência de uma agenda para a educação, a estudante declara que o movimento está mais ligado a questões específicas da universidade, mas tem algumas bandeiras, como a vinculação de 10% do PIB para a educação.


O movimento “Ocupa Sampa” também estava presente na marcha. Quando questionados se o grupo tem propostas para a melhoria da educação no país, a resposta é negativa. “Se o assunto da educação até agora foi um pouco esvaziado, para dar vazão a outras questões, não foi por falta de preocupação, mas por falta de pessoas que venham trabalhar isso com a gente”, aponta o professor da Fundação Casa, Rafael.


Para o chileno Alejandro Villouta Canales, que participou das manifestações estudantis no Chile e agora faz parte do movimento “Ocupa Sampa”, ainda falta um compromisso maior com as questões relacionadas à educação. “A marcha é boa no sentido de apoio, mas acho que as pessoas não têm consciência do que está acontecendo no contexto latino-americano. É como uma notícia da moda ‘Hoje o continente todo vai marchar pela educação e nós vamos também’, mas não há maior interesse no assunto”, desabafa.

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