A inspiração

Consórcio de universidades cariocas foi o modelo do projeto do governo federal; em Minas Gerais, 18 universidades integraram o Projeto Veredas

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O modelo da Universidade Aberta do Brasil foi inspirado no programa de EAD aplicado no Estado do Rio de Janeiro. Foi uma das primeiras experiên­cias que aconteceu, em 1999, com a formação do consórcio Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj). O Centro reuniu instituições públicas de ensino superior sediadas no Estado: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Às universidades se juntou a Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj), órgão ligado à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado.

O consórcio foi formado para atuar principalmente em cidades do interior, na formação de professores a distância para a área de ciências, já que o ensino fundamental e médio apresentava uma grande carência de docentes da disciplina. Além disso, explica a presidente da Cecierj, Masako Masuda, apenas uma universidade pública no Rio de Janeiro tem sede fora da região metropolitana, o que dificultava muito o acesso de alunos de outras cidades. Os pólos para aulas presenciais seriam instalados por meio de convênio com as prefeituras.

O recurso básico dos cursos, todos semipresenciais, é o material impresso. Mas também são utilizadas ferramentas multimídia e internet. E enquanto o conteúdo é preparado pelas universidades, o suporte tecnológico é fornecido pela Fundação Cecierj. Os pólos de aulas presenciais estão instalados em cerca de 30 municípios fluminenses. São oferecidos sete cursos de licenciatura e desde o início efetivo das aulas, em 2001, cerca de 800 alunos já se diplomaram em pedagogia e nas licenciaturas de matemática e biologia. Os cursos contam com 400 horas de atividades práticas e exigem outras 400 horas de estágios.

Atualmente, existem perto de 20 mil alunos matriculados. No entanto, esse volume pode ser bem menor, pois, segundo Masako Masuda, os índices de evasão de estudantes têm sido altos. Como os estudantes podem trancar a matrícula diversas vezes antes de serem desligados definitivamente, os números carecem de exatidão. No entanto calcula-se que nos cursos de pedagogia, por exemplo, o abandono seja inferior a 20%, mas nas licenciaturas pode estar entre 30% e 40%. A presidente do consórcio aponta alguns motivos para esse movimento de desistência dos estudos: expectativa dos alunos de que encontrariam um curso ao qual poderiam dedicar-se pouco e "tirar o diploma"; a dificuldade que os estudantes encontram para se adaptar à necessidade de terem iniciativa própria exigida pela educação a distância; o dimensionamento do tempo, na medida em que a maior parte dos alunos é composta de trabalhadores; e as deficiências na compreensão de leitura.

Mas, na avaliação de Masako Masuda, professora com licenciatura em biologia e pós-graduada em biofísica, a formação de professores tem sido muito bem-sucedida. "Pela forma como os alunos aprendem a estudar dentro do sistema, acabam se tornando pessoas extremamente independentes e autônomas. Muitas estão se formando e fazendo concursos para o magistério. Praticamente todos que não trabalhavam antes em escola estão passando nos concursos e já estão assumindo", conta.


Veredas


O Projeto Veredas, instituído pela Secretaria de Educação de Minas Gerais, começou a funcionar em 2002 e durou até 2006. Com o objetivo de oferecer graduação a um grande número de docentes do ensino básico, e melhorar o nível da educação no Estado, teve como resultado a formação de cerca de 14 mil professores em uma única turma. Reuniu 860 tutores e 18 universidades integraram o projeto. O material didático impresso era enviado para os alunos, dos quais 25% viviam na zona rural.

"Naquela época não tínhamos como fazer contato pela internet. O contato era pessoal. E a cada 15 dias os professores se reuniam com seus tutores. Eles davam orientação, verificavam se estavam fazendo corretamente as atividades, e sempre trocavam idéias entre eles", afirma uma das idealizadoras do projeto, Glaura Miranda, doutora em Educação pela norte-americana Stanford University e professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Uma vez por semestre os alunos tinham uma semana presencial na universidade. Porque a gente achava importante que eles se sentissem alunos de universidade. Esses eram momentos muito significativos", conta Glaura.

Os resultados do Projeto Veredas não podem ser medidos com exatidão. "O problema é que a gente propôs um projeto de avaliação, mas não teve continuidade. Então a gente não tem essa avaliação feita concretamente. Nós tentamos fazer um acompanhamento, mas é um projeto caro e ninguém está interessado em fazer isso agora, ou seja, a secretaria [de Educação] não está interessada. Foi um projeto do governo passado, então essas coisas a gente sabe que são complicadas. A atual administração de Minas deu continuidade ao Projeto Veredas, mas não o colocou em evidência", afirma Glaura Miranda. Mas a educadora observa que as ações do Projeto Veredas se refletiram nos testes que os alunos fizeram posteriormente. "As escolas, onde tinha um número maior de professores fazendo o curso ao mesmo tempo, tiveram um resultado melhor nas provas de avaliação feitas no Brasil."


Mec lança portal


O Ministério da Educação (MEC) lançou, em junho, o Portal do Professor, ação que visa promover a inclusão digital docente. Dividido em seis áreas, o portal contempla de conteúdos para salas de aula a cursos de especialização.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, não basta levar computadores e internet banda larga para as escolas; é preciso que se invista na produção de conteúdos educacionais para a web, a serem incorporados em classe. "O professor não será passivo no portal. Vai poder montar a sua aula, trocar informações com colegas, conhecer o trabalho de outras escolas", diz Haddad.

Já o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, enfatiza os conteúdos digitais oferecidos no portal. "Começamos com cerca de 900 conteúdos e aguardamos a licença para pelo menos mais 6.000." Os conteúdos estão sendo desenvolvidos e pesquisados por um grupo de 200 professores e estudantes universitários.

Mais informações nas páginas eletrônicas
http://portaldoprofessor.mec.gov.br

e
http://objetoseducacionais.mec.gov.br

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