A escola do futuro

Utilização de ferramentas colaborativas, mobilidade e games são as novas apostas para integrar a tecnologia à educação

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Em sua última edição, a Horizon Report, pesquisa realizada pelo New Media Consortium, comunidade internacional de especialistas em educação e tecnologia, aponta algumas tendências de aplicação e oferece um panorama do que pode vir a ser a “escola do futuro”.


Entre os temas avaliados, o relatório defende que o aluno da geração atual espera, cada vez mais, aprender e estudar quando e onde quiser, com apoio contínuo das mídias e das redes sociais. Essa atitude é inspirada em um comportamento mais colaborativo, que inclui a utilização de ferramentas como Wikipedia, Google Docs e armazenamento de arquivos compartilhados, e também em modelos híbridos, apoiado no fato de que as crianças e jovens já possuem habilidades digitais.

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Em uma aposta de integração a curtíssimo prazo (dentro de um ano), o HorizonReport coloca como central a questão da mobilidade, com o uso de tablets, smartphones, netbooks e ultrabooks, em um ambiente conectado, e seu impacto na educação. Em uma projeção a curto prazo (de dois a três anos), o relatório defende a aprendizagem personalizada, em que o aluno conta com um ambiente digital próprio, incluindo redes sociais e blogs, e também o uso de games. Nesse caso, as situações de aprendizagem, não apenas em sala de aula, passam a ser inspiradas em desafios e experiências. São abordagens mais focadas no próprio aluno, para que ele seja um agente ativo para discussão e solução de problemas.


Integração
Na opinião do doutor em Ciências da Comunicação José Manuel Moran, a ação inicial para integrar tecnologia à educação é disponibilizar internet sem fio nas salas de aula. Além disso, a opção por tecnologias móveis permite a substituição de material escolar e apostilas por um computador portátil ou um tablet. “Na Coreia do Sul, até 2013, o objetivo é que todas as escolas tenham conteúdos digitais em tecnologias móveis, ou seja, todo o material didático será em tablets. Há países bastante atentos a essa realidade”, pondera.


O professor Sergio do Amaral, coordenador do Laboratório de Inovação Aplicada na Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que uma integração ideal entre ambiente educacional e tecnologia necessita de um sistema completo para representar uma revolução real: não somente os alunos devem ter aparelhos mobile, mas também o professor, que utiliza ainda uma lousa digital com acesso a um banco de dados e central de mídia de conteúdo da escola, além da internet. “O tablet é parte integrante desse sistema: ao mesmo tempo que substitui os cadernos e apostilas, ele tem interação com a lousa digital e a central de conteúdo. O aluno pode baixar arquivos e projetar o seu conteúdo na lousa, junto do conteúdo do professor”, explica.


Para ele, caberá ao professor utilizar as ferramentas disponíveis e começar a produzir o seu próprio material didático e as referências para complementar as aulas. “A educação e a tecnologia nunca foram compatíveis. Mesmo a TV, nunca soubemos como utilizá-la para ensinar. Com a internet, a interatividade e a mobilidade, pela primeira vez, temos essa brecha para abrir um caminho. As crianças já sabem mexer nos aparelhos, mas usam tudo para entretenimento; na escola, tem esse buraco entre a realidade do dia a dia e os métodos pedagógicos que ainda não encamparam a tecnologia”, pontua.


Para Amaral, o professor “do presente”, e não do futuro, não pode fechar a porta para a inovação, mas deve, antes de tudo, assumir o papel de mediador e coautor da informação, junto dos estudantes: sua função é aproveitar a potencialidade criativa dos alunos, a oportunidade de pesquisar e questionar, problematizar para que as crianças e adolescentes encontrem a resposta. “Essa é a maior inovação, até porque o material didático que utiliza a tecnologia ainda é muito linear e está evoluindo”, comenta.


Moran completa que o professor não será substituído ou engolido pela tecnologia, pois deve assumir o papel de articulador e corresponsável, ao lado dos alunos, pelo desenvolvimento dos temas. “A informação traduzível, os conceitos podem ficar no ambiente virtual, em vídeos, apresentações, textos. A sala de aula fica reservada para a interação, na qual o professor usa sua articulação em todas as dimensões: intelectual, sensorial, afetiva”, defende.


Seis tendências em educação
Sistema integrado com lousa digital e central de mídia e conteúdo:
o professor tem acesso ao banco de dados, aos materiais que prepara para cada aula e à internet


Professor conectado: o educador não depende apenas das apostilas e aulas digitais; também busca novidades e recebe conteúdo dos alunos


Alunos com tablets ou computadores portáteis: gadgets conectados à rede da escola, podendo receber ou enviar conteúdo para lousa digital e  pesquisar em tempo real


Compartilhamento de arquivos: o professor disponibiliza arquivos que introduzem o assunto, e na sala de aula o tempo
é para aprofundar e debater


Interação e debate: criação de grupos ou fóruns de discussão para dar continuidade às aulas e proposta de novas atividades. Facilita a participação de alunos tímidos


Jogos de problematização e investigação: uso de redes sociais e games para envolver alunos em pesquisa e trabalhos

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