A escola da vila

Escritor se baseou em sua experiência como professor para transformar estatísticas em linguagem acessível

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Faoze Chibli

A população do planeta Terra cresceu mais nos últimos 50 anos do que em toda a história da humanidade, segundo dados do Worldwatch Institute (em português, algo como Instituto de Observação Mundial), uma entidade não-governamental de pesquisa interdisciplinar. Mas em que condições vivem mais de 6,2 bilhões de pessoas, hoje? O escritor David J. Smith quis responder a essa pergunta e diminuir as incomensuráveis distâncias entre países, com o livro
Se o Mundo Fosse uma Vila

. Na empreitada, Smith pesquisou muito e fez comparações entre a situação dos habitantes dessa vila mundial, imaginando uma população total de cem pessoas (
leia entrevista com o autor à pág. 55

).
Educação

embarcou na idéia desse norte-americano e fez um retrato da situação educacional no mundo, como se houvesse apenas uma escola, também em uma vila de cem pessoas. Além do livro de Smith, foram consultados sites e publicações oficiais do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Worldwatch Institute e do Banco Mundial.


Epifania vira livro


Escritor se baseou em sua experiência como professor para transformar estatísticas em linguagem acessível







David J. Smith concedeu, por e-mail, uma entrevista exclusiva para
Educação

, em que revelou sua inspiração para escrever, entre outras curiosidades. Além disso, forneceu dados de sua pesquisa que ficaram de fora do livro
Se o Mundo Fosse uma Vila

.





Revista Educação – A pesquisa para seu livro é extensa e difícil de ser realizada. O que o inspirou?





David J. Smith –





Não surpreendentemente para um professor de uma vida inteira, a história remonta aos meus alunos de 7



a






série no ano de 1989. Os estudantes (crianças de 12 anos) tinham que decidir entre aprender francês ou espanhol como língua estrangeira, e um de meus alunos perguntou: “Bem, se essa série fosse o mundo, quantos de nós falariam francês e quantos falariam espanhol?” Aquilo foi uma epifania para mim. A simples pergunta daquele estudante levou-me a pensar em como tornar significativos os conceitos sobre a população mundial. Acabei tendo a idéia de colocar informação sobre as pessoas no molde de um grupo de cem aldeões, como forma de chegar a dados sobre o mundo real – que pode, de outra maneira, ser imenso e confuso.







Há informações sobre educação que foram suprimidas de seu livro?





No manuscrito original, que eu terminei em 1992, havia aproximadamente 40 categorias de informações sobre essa vila global. Gradualmente, a lista foi afunilada para apenas 12 no livro, para fazê-lo funcionar bem como um livro infantil. Categorias que foram deixadas de fora incluíam quantas pessoas na vila fumam tabaco (em 1992, eram mais de 30, com cada fumante da vila consumindo 828 cigarros por ano, em média), quantas estão grávidas em qualquer dado momento (duas), e também tamanho das famílias, qualidade de moradia etc. Incidentalmente, o letramento conta uma história interessante: globalmente, o letramen-to masculino (idade acima de 15 anos) é de 83% e o feminino é de 69%. No Brasil, o letramento masculino e feminino é estimado em 85% (fonte: Population Reference Bureau, Women of Our World).





Por que não há informações sobre diferenças entre gêneros, como o número de garotos e garotas na escola?





O manuscrito diz que mais homens são ensinados a ler do que mulheres, mas não vai em frente. A razão principal é que acaba não existindo uma grande diferença. No mundo todo, há quase exatamente meio a meio de homens e mulheres. Entre os mais jovens, há mais meninos, uma vez que nascem mais garotos do que meninas; enquanto nos grupos de maior idade, há mais mulheres, uma vez que os homens morrem mais cedo do que as mulheres. Mas, no todo, é quase exatamente igual. No ensino, certamente existem países onde há mais garotos na escola do que meninas. E as Nações Unidas dizem que aproximadamente 65 milhões de meninas não estudam, mas, na “vila global”, isso representa apenas uma pessoa. É por isso que foi deixado de fora – trata-se de um problema sério, mas, estatisticamente, basear o número em porcentagens não atinge a natureza do problema.





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