A disputa por espaço

Com livrarias abarrotadas de lançamentos, editoras investem em pontos-de-venda alternativos

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Espaço limitado: luta para expor os livros leva editoras a investir em sofisticação e canais alternativos

Apesar de o brasileiro ler pouco (índice per capita de 1,8 livro por ano, contra sete do francês), o mercado editorial nacional investe pesado na produção de lançamentos. De 1,2 a 1,5 mil títulos novos são lançados por mês. Para conquistar o leitor, a obra precisa ser exposta. E aí começa a tarefa da distribuição. “Dos lançamentos, somente 30% são comprados pelas livrarias. Aí se instaura uma guerra pela visibilidade”, analisa Roseli Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Grandes livrarias possuem, em média, 12 mil títulos em acervo, dos quais apenas 10% são renovados a cada mês. Segundo a última pesquisa sobre Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, de 2006, foram lançados 41,5 mil livros no Brasil no ano anterior. 

Para fazer o livro chegar ao leitor, as editoras têm investido em estratégias diversas – de pontos-de-venda alternativos a exploração de temas regionais. “Quando decide publicar um livro, a editora tem de ter claro o público para o qual ele se destina. Nem sempre ele fica na livraria”, diz a presidente da CBL. Especializada em livros de artes e design, a Cosac Naify opta por também expor seus títulos em pontos alternativos, como galerias de arte, lojas de moda e até lojas de brinquedos, no caso dos infantis. Na batalha por espaço nas livrarias, a editora investe fortemente na produção e na qualidade gráficas para obter destaque. “Também temos como direcionamento lançar títulos sempre ‘amarrados’, ou seja, com o mesmo tema de outra obra ou coleção já lançada”, conta Eliete Cotrim, gerente-geral de vendas. Em média, a Cosac lança de dois a três livros infanto-juvenis por mês, e até seis livros para o público adulto.

Para aumentar as vendas em regiões com déficit de livrarias, como o Norte e o Nordeste, a Editora Vozes aposta em projeto editorial que convida profissionais locais – escritores, fotógrafos e designers – para a produção de títulos. A coleção Nossa Capital contará a história de todas as capitais do país. Já foram lançados os livros sobre Manaus e Porto Velho. “Os leitores são atraídos por um livro produzido na própria região. Além disso, a presença do autor no local da venda ajuda a divulgação”, explica o diretor comercial Antonio Erivan Gomes. A Vozes lança, em média, 100 títulos ao ano.

Para Marcelo Levy, diretor comercial da Companhia das Letras, o espaço privilegiado nas livrarias é conquistado quando o livreiro é convidado a conhecer a obra que está sendo lançada. “É a sensibilidade do livreiro que define o espaço que o livro ocupará na vitrine e se ele é interessante para o público da loja”, comenta. A editora também tem pontos alternativos de vendas em supermercados e lojas de conveniência, mas as livrarias ainda ocupam espaço de destaque na hora da distribuição. A Companhia das Letras lança cerca de 18 novos livros por mês.


Para saber mais


O Preço da Leitura, de Regina Zilberman e Marisa Lajolo (Ática, 2001)

A disputa por espaço

Com livrarias abarrotadas de lançamentos, editoras investem em pontos-de-venda alternativos

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Apesar de o brasileiro ler pouco (índice per capita de 1,8 livro por ano, contra sete do francês), o mercado editorial nacional investe pesado na produção de lançamentos. De 1,2 a 1,5 mil títulos novos são lançados por mês. Para conquistar o leitor, a obra precisa ser exposta. E aí começa a tarefa da distribuição. "Dos lançamentos, somente 30% são comprados pelas livrarias. Aí se instaura uma guerra pela visibilidade", analisa Roseli Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Grandes livrarias possuem, em média, 12 mil títulos em acervo, dos quais apenas 10% são renovados a cada mês. Segundo a última pesquisa sobre Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, de 2006, foram lançados 41,5 mil livros no Brasil no ano anterior. 

Para fazer o livro chegar ao leitor, as editoras têm investido em estratégias diversas – de pontos-de-venda alternativos a exploração de temas regionais. "Quando decide publicar um livro, a editora tem de ter claro o público para o qual ele se destina. Nem sempre ele fica na livraria", diz a presidente da CBL. Especializada em livros de artes e design, a Cosac Naify opta por também expor seus títulos em pontos alternativos, como galerias de arte, lojas de moda e até lojas de brinquedos, no caso dos infantis. Na batalha por espaço nas livrarias, a editora investe fortemente na produção e na qualidade gráficas para obter destaque. "Também temos como direcionamento lançar títulos sempre ‘amarrados’, ou seja, com o mesmo tema de outra obra ou coleção já lançada", conta Eliete Cotrim, gerente-geral de vendas. Em média, a Cosac lança de dois a três livros infanto-juvenis por mês, e até seis livros para o público adulto.

Para aumentar as vendas em regiões com déficit de livrarias, como o Norte e o Nordeste, a Editora Vozes aposta em projeto editorial que convida profissionais locais – escritores, fotógrafos e designers – para a produção de títulos. A coleção Nossa Capital contará a história de todas as capitais do país. Já foram lançados os livros sobre Manaus e Porto Velho. "Os leitores são atraídos por um livro produzido na própria região. Além disso, a presença do autor no local da venda ajuda a divulgação", explica o diretor comercial Antonio Erivan Gomes. A Vozes lança, em média, 100 títulos ao ano.

Para Marcelo Levy, diretor comercial da Companhia das Letras, o espaço privilegiado nas livrarias é conquistado quando o livreiro é convidado a conhecer a obra que está sendo lançada. "É a sensibilidade do livreiro que define o espaço que o livro ocupará na vitrine e se ele é interessante para o público da loja", comenta. A editora também tem pontos alternativos de vendas em supermercados e lojas de conveniência, mas as livrarias ainda ocupam espaço de destaque na hora da distribuição. A Companhia das Letras lança cerca de 18 novos livros por mês.



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O Preço da Leitura, de Regina Zilberman e Marisa Lajolo (Ática, 2001)

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