A carreira docente ao redor do mundo

Estudo da OCDE aponta fatores que influenciam no custo salarial do professor por aluno

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O estudo Education at a Glance 2015, publicado em novembro pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que o custo salarial dos professores por aluno está ancorado em quatro fatores. São eles: o ciclo de estudo em que se leciona; o número de horas de trabalho (considerando hora/aula e hora de trabalho pedagógico coletivo); o salário oferecido ao docente e o número de professores necessários na rede, o que depende do tamanho das turmas. A pesquisa considera a realidade do ensino oferecido nos 34 países-membros da OCDE e em 10 nações parceiras da organização, entre elas o Brasil.

Enquanto nos países da OCDE professores em início de carreira têm remuneração anual equivalente a US$ 28,7 mil (R$ 109,1 mil), no Brasil esse valor é de US$ 12 mil (R$ 45,6 mil), ou seja, 40% do que recebem os docentes em nações como Chile, Estados Unidos e Alemanha (veja mais abaixo).

Já o salário médio dos professores é menor que o salário médio de outros trabalhadores com ensino superior completo em quase todos os países analisados. Os docentes recebem 78% do valor médio dos salários de profissionais com escolaridade equivalente.

Apesar de ganharem menos, os professores brasileiros trabalham mais: são 42 semanas (203 dias letivos) anuais, frente a uma média de 38 semanas (183 dias letivos) nas nações da OCDE. Além disso, nossas salas de aula são mais cheias. As classes de ensino fundamental no Brasil têm em média 28 alunos, frente a 24 estudantes nos países da organização internacional.

Os números variam entre instituições privadas e públicas, principalmente em países como Brasil, Colômbia, México, Turquia e Reino Unido. Nessas nações há, em média, sete alunos a mais por turma em instituições públicas do que em instituições privadas de ensino fundamental.

A situação faz com que professores brasileiros consigam usar apenas 67% de cada aula para explicar os conteúdos, enquanto a média internacional é de 79% da aula aproveitada para esse fim. Esses dados são da pesquisa Talis (Teaching and learning international survey) 2013, realizada em 32 países e citada no recente estudo da OCDE.

O Education at a Glance 2015 também aponta que em alguns países há iniciativas para fazer com que professores mais velhos permaneçam na profissão. A Grécia, por exemplo, reduz as horas de ensino de acordo com os anos de trabalho do professor. Após 20 anos de atuação, os docentes são obrigados a ministrar, no máximo, 16 aulas por semana – 25% a menos do que os professores que estão em início de carreira.

O documento, que compila e compara dados divulgados entre 2000 e 2013, pontua também que esses aspectos têm um impacto direto sobre a atratividade da profissão docente.

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