A Bienal do acordo

Vigésima edição da mais tradicional feira brasileira do livro terá as mudanças da língua portuguesa como um dos temas centrais

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Em sua 20ª edição, a Bienal Internacional do Livro, a maior do gênero no país e a segunda maior do mundo, trará, entre os dias 14 e 24 de agosto, duas temáticas atuais: a questão do acordo ortográfico e a comemoração dos 200 anos da chegada do livro ao Brasil, com a vinda da família real portuguesa. Enquanto uma está presente em temas de debates no Espaço Universitário, por exemplo, a outra aparece com a escolha de Portugal como um dos países homenageados – a justificativa é o seu envolvimento essencial na história do livro nacional. Japão, pelo centenário da imigração nipônica no Brasil, e Espanha, pela realização da sétima edição do Congresso Ibero-Americano de Editores, também serão homenageados.

Outro destaque será o lançamento do
Livro de todos

, uma obra literária coletiva escrita por internautas entre 16 de maio e 16 de junho. Nesse perío­do, o sítio de internet da Bienal ofereceu "páginas em branco", que foram preenchidas por textos selecionados e editados por autores diversos. O início do livro foi escrito por Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras e vencedor do prêmio Jabuti em várias edições. Para esta edição também são esperados, como em todos os anos, convidados internacionais que participarão do Salão de Idéias. Até agora, os nomes confirmados são os do mexicano Guillermo Arriaga, roteirista dos filmes
Amores brutos

, 21 Gramas e Babel, o italiano Vincenzo Cerami, co-autor do roteiro de A vida é bela e Stéphane Audeguy, autor de Filho único, biografia ficcional do irmão mais velho do filósofo Jean-Jacques Rosseau, entre outros.


Espaços para a educação


A Bienal oferece aos participantes dois espaços com foco em educação: o Fala, Professor! e o Espaço Universitário. O Fala, Professor! é um ciclo de palestras dedicado a professores do ensino fundamental e médio que aposta na educação continuada. As palestras são pautadas pelo que a Bienal chama de "tripé-base do ensino": metodologia, conteúdo e bibliografia.  Alguns temas recorrentes no Fala, Professor!: interação social entre alunos, otimização do ensino em diversas disciplinas, técnicas pedagógicas e de materiais de apoio em sala de aula. As palestras acontecem num auditório com capacidade para receber 240 pessoas em cada uma das duas sessões diárias. No dia 16 de agosto, por exemplo, o professor da Faculdade de Educação da USP e autor de
Gestão democrática: participação da comunidade na escola

(Editora Nosso Fazer, 1995), Vitor Henrique Paro, fala sobre o embate entre a cultura do aluno e do educador na escola. Outra atração do espaço acontece no dia 22 de agosto, quando o escritor Ricardo Azevedo irá discutir a aplicação da literatura infanto-juvenil nas escolas. Azevedo é autor de vários livros infantis, entre eles O livro das palavras (Editora do Brasil, 2007),
Contos de espanto e alumbramento

(Scipione, 2005) e Aula de carnaval e outros poemas (Ática, 2006).

Já o Espaço Universitário tem como objetivo aproximar os estudantes dessa etapa da educação e especialistas em diversas áreas. São três sessões diárias, com 80 vagas cada, com a pauta de discussões abordando os seguintes temas: questões atuais do mundo acadêmico, rumos do ensino e desafios do mercado de trabalho. O Espaço Universitário também abordará a questão do acordo ortográfico. No dia 21 de agosto, o assessor do ministro da Educação, Carlos Alberto Ribeiro de Xavier, e o professor da Universidade Nove de Julho, Maurício Silva, conduzirão o tema "O acordo ortográfico: o que o Brasil ganha com isso?" O idioma também será alvo de debates na mesa redonda "Língua Portuguesa, Língua Brasileira", dia 15 de agosto, com a presença de Ataliba de Castilho, professor titular da USP, Maria Helena de Moura, professora da Unesp e Mackenzie, e Evanildo Bechara, membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.


Crianças e adolescentes


Um levantamento encomendado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) revela que o faturamento com livros didáticos sofreu leve queda de 2005 (R$ 9,45 milhões) para 2006 (R$ 8,72 milhões). Mesmo assim, foram editados 15,9 mil títulos em 2005, contra 17,9 mil em 2006, registrando um crescimento de 12,19% na produção desse período. Além do didático, outro segmento que também tem apresentado bom desempenho e no qual apostam as editoras é o da literatura infantil. Em 2005, foram editados 2,7 mil títulos contra 3,03 mil em 2006. Visando essa fatia do bolo editorial, a edição deste ano criou um espaço chamado "Bienal Criança", no qual são esperados cerca de 100 mil visitantes "mirins".

"Tradicionalmente, a Bienal do Livro de São Paulo recebe um grande público na faixa dos 5 aos 17 anos, seja por meio dos programas de visitação escolar, seja nas áreas dedicadas às atrações infantis", afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Em sua última edição, o evento recebeu cerca de 180 mil crianças de todas as idades, da pré-escola ao ensino médio.

A área irá contar com 2 mil m² preparados especialmente para atividades lúdicas, que incluem contadores de histórias, oficinas de leitura, escrita e ilustração, além de apresentar todas as etapas do processo de fabricação do papel e de como é feito um livro. Para Rosely, os pais brasileiros não têm o hábito da leitura, o que torna a responsabilidade da escola sobre a formação dessas crianças ainda maior. Segundo ela, seria necessário que se insistisse em políticas públicas de incentivo à leitura, sobretudo na revitalização de bibliotecas e na aquisição de novos acervos. "Outra importante medida está relacionada a programas de formação de professores, principal ligação entre os estudantes e o livro", afirma. (Edgard Murano)


Lançamentos do acordo


Com o acordo ortográfico, algumas editoras investiram no lançamento de títulos que incorporam as novas regras. Além do relançamento do Miniaurélio, pela editora Positivo, a Texto Editores lançou recentemente o Novo dicionário da língua portuguesa, da Texto Editores. O dicionário, que foi elaborado com consultoria do filólogo português João Malaca Casteleiro, tem 1.654 páginas com 125 mil entradas, e registra também locuções latinas de uso consagrado e estrangeirismos mais recorrentes.


Números da Bienal


A expectativa dos organizadores é reunir neste ano mais de 800 mil visitantes no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Na última edição da Bienal, em 2006, o aumento no número de participantes foi substancial: passou de 500 mil pessoas para 800 mil, um aumento de 60%. As perspectivas de vendas para este ano também se mantêm elevadas, já que, em 2006, 78% dos visitantes compraram livros, uma média de três exemplares por pessoa.

Outro bom indicador de que o mercado editorial atravessa um momento propício é que em seis anos seu faturamento saltou de 2,06 bilhões para 2,14 bilhões de reais, revelando um aumento expressivo do consumo de livros por parte dos brasileiros, segundo levantamento encomendado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Ainda segundo a pesquisa, programas executados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) continuaram impulsionando o mercado editorial: em 2005, foram vendidos 87,8 milhões de exemplares por meio de programas do FNDE; em 2006, 125,3 milhões, um aumento nada desprezível de 42,78% nas vendas.


Programação Fala, Professor!*


*Grade sujeita a alterações. A versão atualizada está disponível no site
www.bienaldolivrosp.com.br

.



15 de agosto





10h às 12h:


Cláudia Arantagy, educadora. Tema indefinido.

14h às 17h:

Maria Helena Guimarães de Castro, secretária estadual de educação de São Paulo. É possível um ensino público universal de qualidade?


16 de agosto



10h às 12h:

Kalina Vanderlei, doutora em história. O aluno como sujeito da história.

14h às 15h30:

Vitor Henrique Paro, professor da Feusp. Cultura do educador X cultura do aluno: colaboração ou oposição?

16h às 17h30:

Marco Antonio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos. Como trabalhar com a história política.


17 de agosto



10h às 12h:

Regiane Augusto de Mattos, mestre e doutoranda em história social pela USP. Trabalhar com a história afro-brasileira.

14h às 15h30:

José Carlos Sebe, professor de história. A história oral como instrumento de ensino.

16h às 17h30:

Circe Bittencourt, professor da Feusp. Métodos e técnicas no ensino de história.


18 de agosto



10h às 12h:

Shoko Kimura, professora da faculdade de Educação da UFMG. Como ensinar geografia hoje.

14h às 15h30:

Ana Fani, professora do Depto. de Geografia da Fflch, da USP.  O ensino da geografia: da teoria à prática.

16h às 17h30:

Gabriel Chalita, ex-secretário estadual de educação de São Paulo. Bullying: como proteger nossos alunos.


19 de agosto



10h às 12h:

Onaide Schwartz, professora do Depto. de Educação da Universidade Estadual Paulista. Educação e sociolingüística.

14h às 17h:

Dora Lorch e Denise Cavallari, psicólogas. Mesa redonda: violência e educação.


20 de agosto



10h às 12h e 14h às 17h:

Josette Jolibert, autora do livro Formando crianças produtoras de texto. Como ensinar a ler e escrever I e II.


21 de agosto



10h às 12h:

Celso Antunes, membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (Unesco). Inteligência, capacidade, competência.

14h às 17h:

Lúcia Fulgêncio, mestre em lingüística, e Maria Cecília Mollica, professora da UFRJ. Mesa redonda: é possível facilitar a leitura?


22 de agosto



10h às 12h:

Ingedore Koch, professora do Depto. de Lingüística do IEL/Unicamp, e Vanda Elias, professora de letras da PUC. Mesa redonda: leitura e escrita na escola.

14h às 15h30:

Sérgio Túlio Caldas, jornalista. Aquecimento global.

16h às 17h30:

Maria Aparecida Silva Bento, diretora do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, e Myriam Chinalli, editora de literatura e paradidáticos. Mesa redonda: o negro na escola e nos livros didáticos. 


23 de agosto


10h às 12h:

Ana Cecília Petta Marques, psiquiatra. Drogas e álcool na escola.

14h às 17h:

Marcos Ribeiro, coor­denador geral do Centro de Orientação e Educação Sexual (Cores). Como falar sobre sexo com o adolescente.


Livros Vendidos Para Programas do FNDE

Ano Faturamento (R$) Exemplares Vendidos
2005 448.495.228,93 87.803.395
2006 731.706.153,77


Consumo de Livros no Brasil

Ano Faturamento (R$) Exemplares Vendidos
2004 2.477.031.850 288.675.136
2005 2.572.534.074 270.386.729
2006 2.148.744.274 310.344.033

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