500 anos de trocas

Bibliotecas nacionais da França e do Brasil terão site conjunto

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Sintetizar cinco séculos de constante intercâmbio cultural não é tarefa fácil. Porém, em razão do Ano da França no Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional (BN) e a Bibliothèque Nationale de France, equivalente à BN em Paris, não só aceitaram o desafio como já têm data para lançar um portal eletrônico com documentação referente às relações entre os dois países. Em novembro, o público terá acesso gratuito a um dossiê com mapas, cartas, obras artísticas e outros documentos que unem a história francesa à brasileira. “Vamos organizar o site em temas, e as obras digitalizadas serão acompanhadas de uma pequena apresentação e explicação escrita de forma simples para atender ao grande público”, descreve Irineu Corrêa, especialista em Letras que faz parte da coordenadoria de pesquisa da BN e trabalha na adaptação de conteúdo para a nova página.

De acordo com o pesquisador, as trocas entre França e Brasil sempre foram muito intensas. “É uma relação muito mais profunda do que a história oficial e administrativa. O interesse da França pelo Novo Mundo sempre foi enorme”, defende. Na época da colônia, movimentos belicosos tentaram tomar posse de lugares como a Baía de Guanabara e o território onde fica hoje o Maranhão. No Império, a influência veio junto aos costumes refinados da corte, que imitava as tendências de Paris. Além disso, a própria chegada do rei de Portugal alterou a história nacional. “A família real veio para o Brasil em grande parte por obra da França e da invasão napoleônica. Isso mudou tudo e precipitou a independência brasileira. Então, essa é uma relação muito complexa e rica, justamente o que tentaremos mostrar no site por meio de documentos e imagens”, afirma.

Mas, segundo Corrêa, a influência é recíproca. Enquanto os grandes escritores brasileiros do século 19 e início do 20 liam e conviviam com seus pares franceses – como Honoré de Balzac e Alexandre Dumas -, o humanista francês Michel de Montaigne, por exemplo, baseou boa parte de sua teoria na observação de tribos indígenas canibais no Brasil. Da mesma forma, o antropólogo Claude Lévi-Strauss usou sua experiência com os índios brasileiros para desenvolver o pensamento que o consagrou na Europa e no mundo. O mesmo aconteceu com os pintores Jean-Baptiste Debret e Nicolas-Antoine Taunay, que se inspiraram com as paisagens tropicais brasileiras. “Podemos dizer, então, que o Brasil também influenciou a França”, observa o pesquisador. “A ida e vinda de pensadores, professores e estudiosos franceses ao Brasil e vice-versa é e sempre foi constante.”

Eventos do Ano da França no Brasil:


– Retrospectiva Godard – V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual



Data:

de 27/7 a 28/9

Onde:

Teatro Castro Alves em Salvador (BA)


– Mostra de Cinema Comentado – Diversidade cultural e escola: desafios na França e no Brasil



Data:

de 4/8 a 7/8

Onde:

PUC Minas em Belo Horizonte (MG)


– Exposição “Matisse Hoje”



Data:

de 1/9 a 15/11

Onde:

Pinacoteca do Estado de São Paulo (SP)


– Seminário Internacional “Cultura e Primeira Infância”



Data:

de 14/9 a 16/9

Onde:

Caixa Cultural em Brasília (DF)


– Exposição “O Francês no Brasil em todos os sentidos



Data:

até 21/9

Onde:

Museu da Língua Portuguesa, São Paulo (SP)


– 50 Anos de Cinema da África Francófona: olhares em reconstrução e identidades reinventadas



Data:

18/8 a 16/11 em São Luís (MA); 1/10 a 15/10 em São Paulo (SP), no MAM e na Aliança Francesa; e 1/10 a 15/10 em Salvador (BA), na Sala Walter da Silveira


– Rodin e a Fotografia – do Ateliê ao Museu


De 13/8 a 13/10 na Casa Fiat, em Belo Horizonte (MG); de 27/10 a 13/12 no MASP em São Paulo (SP)


– Ciclo de palestras sobre “Pensamento Francês e Cultura Brasileira”



Data:

Até 11/11

Onde:

PUC RS, Porto Alegre (RS)

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